A cidade é tímida. Fala pouco comigo...
Grande, desengonçada.
Ela cheira mal.
Lembro-me de quando eu era pequeno e não conseguia ver o sol entre os tapumes.
Mão com a mãe. Mãe com o pai. Atravessar a rua e ralar minhas solas nos asfalto por não acompanhar os passos.
E eu não comprava meus sapatos.
A cidade tosse.
Ela não suporta a fumaça que expiro de meus pulmões rasgados.
Ela é preta.
Mas não tenho preconceito, não. Tenho não.
Escrevo os nomes dos dias no branco da faixa de segurança.
Depois o esgoto passa por cima e lava.
A cidade fecha os olhos. Ela não suporta as luzes que aquecem meu corpo.
Eu tusso.
De cima dos meus andares eu tusso pra ela admirar tamanha altura.
Arranco dos céus alguma bebida barata.
E recolho a cidade ébria escondida em qualquer destas minhas sarjetas.
O sinal é verde.
O sinal é. Vede!
- O sangue é vermelho!
Vermelho que não pára, não faz parar.
Não pára de derramar.
E quando a vista alcança o fim, ficam minhas colinas.
Revivo meu horizonte pra cidade olhar.
Pra cidade chorar.
E derramar um mar escuro que não se abre com o elevar de minha mão.
A cidade vive em mim.
Mesmo nos dias em que eu me sinto só.
sábado, 4 de setembro de 2010
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